Será que eu ainda existo?
Numa calçada que pisei,
No reflexo de alguma vitrine,
Na frase marcada em um livro que li.
Eu existo?
No cheiro em meu travesseiro,
Na poeira acumulada nos móveis,
Nos montes de papel rabiscado sobre a escrivaninha.
...
Através das lentes destes óculos,
Da imagem refletida de volta do espelho,
Quem esta lá... Quem esta lá?
Eu ainda estou aqui?
Preso a estas nulidades.
Vão é o desejo de Ser.
Numa negação da vida,
Um nada qualquer.
Corpo ínfimo flutuando num infinito branco.
Eu realmente desejo estar aqui?