terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A cansativa busca.~

Era um homem regular que não gostava muito de viajar, mas que havia viajado muito nos últimos anos.

Viajou para se encontrar com amores que não vingaram...
Viajou para acertar contas com o passado...
Viajou para locais que nem mais lembra por que...

Essas idas e vindas e falhas desbotaram a cor do céu e todo azul tornou-se cinza... E todo o azul agora reside nele mesmo.

Mas não foi tempo perdido, pois para cada mundo que cai, um novo se forma... E ele tem vivido e mesmo que persista a melancolia, certa grandeza surge a partir de toda pequenez que sente.

São climas e faces diferentes e elas ensinam... Ensinam sobre a beleza no sorriso alheio. Quão forte são os homens e as mulheres que cruzam seu caminho...

Este homem que conta as sombras das arvores em travessias por terra noturna, que caminha ao lado de nuvens e observa o sol se por tocando-as deseja apenas criar raízes, fixar-se ao lado de uma boa alma.

Micro apocalipses e desejos não realizados...
Contando as horas e esperando a próxima partida...

Qual desses sorrisos seria o seu?
... Qual dentre eles o fará ficar?

Uma última sombra...
Um último por do sol.


No descanso dos pés um refugio para a mente. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Lar atado ao pulso.~ (Não mais.)

A solitária escrivaninha abandonada no centro do quarto
Foi ela a única testemunha.

Corredores e quartos vazio.
Naquele lar que desaparecia, deixei o meu também.
Com serenidade foram-se desfazendo os nós,
Um após o outro, renuncia após renuncia.

Do que foi bom, do que foi mal.
Tudo se mistura como borrão numa pintura.

... Um retorno ao ponto de partida? (o tempo é para frente)
Um rompimento brusco? (mas há a ternura)
O assassinato da inocência? (a maturidade da inocência)

Teria valido a pena?
... Nada que não perdure vale a pena.
Tudo aquilo que não se agarra à alma, não!
Não vale a pena se não criar raiz, se não supera o tempo...

Se não aquece ou ilumina, se não está aqui...
Não vale a pena e faz bem que vá!

... Sobre cordões e forcas.

Há um sorriso em mim...
Que eu quero descobrir.

Um tesouro...

Que ninguém pode roubar.

sábado, 5 de abril de 2014

Medo novo.~

Pela floresta... Pela floresta...
Chão escuro e copa úmida...
Meus pés sobre folhas, sobre galhos...
Os sons, o cheiro e um desespero.

O sono me toma a mão.
A noite cai com seu peso lúgubre.
... Eu não quero mais dormir.
É a neblina que me cobre o ser.

O toque frio, eu o senti.
Medo do chão...
Por favor, não me deixe dormir.

Naquela noite...
... Tudo o que é,
Foi-se...