Pela calçada onde passo, paralelo a mim, expostos à vitrine livros presos...
... E pensam os livros: “Preso está tu!”
E preso estou eu, quando passo quase em fuga,
Quando escapam meus olhos à atenção destes seres estáticos, estas capas em cores, estes mundos selados.
Vou-me vivendo neste mundo deixando para trás tantos outros, o paraíso ou o Inferno de Dante ao alcance do virar de páginas.
Um passo... Dois e me esqueço, e deixo escapar a inspiração melindrosa, o poema pronto.
Como soam tristes estes passos adiante.
Paralelo a mim? Sei não! Não me importa mais, é parede... O que desejo ficou para trás!
Se meus passos voltassem no tempo, romperia estas vitrines e roubaria todos estes mundos só para mim.