Areia...
As ruínas do antigo mundo se foram todas,
Todo antigo sonho, toda magia antiga desapareceu.
Nada que pudesse reconstruir, nada que pudesse tomar uma nova forma.
Os deuses-fantasma deste antigo reino preparam seu sono.
... Ele será recebido com cortesia.
O velho mundo caiu.
Um novo se forma.
O novo não tem forma, não existe... Tão incerto, quase nulo.
... Tão efêmero. Uma nuvem, o desenho que seus olhos querem ver.
Vai-se e se cria no mesmo instante, volta e desaparece.
Sem deuses ou seres fantásticos, a magia não reina aqui,
Nada aqui reside a não ser a forma original, o arauto de toda criação.
... Mas ele não sonha mais, ele padece na própria existência.
A realidade matou o sonho.
O arauto caminha entre os homens, e morre com os homens.
... Ele tenta acreditar na continuidade do sonho,
Mas nem grãos de areia nem força existem em suas mãos.
Este homem esta vivendo realmente.
Seus olhos estão bem abertos, ele pode ver bem a vida diante de si,
Além disso, nada mais ele pode ver. A incerteza e o medo o caçam toda noite.
Toda noite o vazio do antigo mundo tenta puxá-lo novamente para si.
O homem vive e o mundo perdido deseja o mesmo,
O desejo do homem quer devorá-lo, viver em seu lugar.
O homem não para de lutar, dor não o atinge mais... Ele se mantém.
Caminhando com os olhos abertos, uma sombra infinita em suas costas.
... A esperança do homem o manterá acordado. Afastando as trevas.
Ele gerará vida através da realidade... A morte se aproxima, mas ele terá vivido.