Deitado na maca enquanto me encaminhavam à sala de cirurgia, as luzes no teto, tudo que podia pensar era: “Seria tão bom se essas luzes fossem minha última memória, a última lembrança em minha mente.”
Horas depois, desperto em um quarto escuro, o silêncio entrava em simbiose com minha desilusão.
A vida continua, mas por mais que eu tente, por mais que os dias passem, sempre que fecho meus olhos, tudo que vejo são luzes passando, e a vida sempre se choca violentamente contra mim quando os abro novamente.
E assim passa o tempo, observando passivamente o confronto entre um desejo profundo e tudo que é posto diante de mim.
... Porque sempre está escuro quando desperto?
A resposta salta diante de mim, mas a deixo escapar entre o fechar e abrir dos olhos.